terça-feira, 17 de janeiro de 2012

IFF Macaé: conquista dos macaenses é resgata

Macaenses e políticos recordam de suas mobilizações pela sua implantação

Era um desejo dos macaenses havia anos. Campos dos Goytacazes era o único Centro Federal de Educação Tecnológica, Cefet (UNED) próximo à Macaé, o maior produtor de petróleo do país. Jovens e adultos tinham que conviver durante três anos entre as duas cidades (cerca de 140 km) para se formarem. O sentimento de municipalidade e insatisfação da sociedade e políticos levaram a uma mobilização iniciada em 1985 e que se consolidou com a implantação da sede em Macaé (hoje, Instituto Federal Fluminense- IFF) em 2007. No último dia 12 de janeiro, o Instituto teve sua nova reitoria empossada e diante do acontecimento, ex-alunos, cidadãos e políticos relembraram o processo de mobilização que tornou possível a qualificação tecnológica dos jovens macaenses. 

"Foi um desejo da população que buscou seus representantes para defenderem a causa”. Disse Marilena Garcia, principal liderança da Câmara Municipal em 1985, quando exercia seu mandato de vereadora. Por meio de sua iniciativa, foi criada uma comissão para trazer uma unidade de ensino da então Escola Técnica Federal para Macaé. Durante dois anos foram recolhidas 15 mil assinaturas da população e entregues pela comissão ao Ministro da Educação daquele período, Jorge Bornhausen.

Educadores que assinaram o abaixo assinado relembraram da mobilização e lamentaram a falta de representantes do município na solenidade de posse da nova Reitoria. “A população realmente se mobilizou e os vereadores realmente se mostravam comprometidos com o desejo da população. Achei uma falta de consideração com o cidadão macaense, que não se viu representado e não teve a palavra durante todo o evento de posse”, criticou Marcia Teixeira Cortez que participou do evento.

“Lembro-me que a Marilena ao percorrer as instituições em busca das assinaturas, mostrava o quanto necessário e importante para o município e aos macaenses ter uma unidades descentralizada da escola técnica na cidade. Acredito que não foi à toa que ela seguiu a carreira política por meio da Educação”, disse o professor de Geografia Almir Gonçalves de Souza.

Macaé foi incluída no projeto do então Presidente da República, José Sarney, de construção de 14 escolas técnicas no país. A partir da inclusão, o MEC enviou técnicos responsáveis pela escolha do terreno que deveria atender as exigências. Houve várias discussões sobre a localização do terreno para construção da escola até a votação dos vereadores sobre a cessão do terreno feita pela prefeitura.

Seis anos depois de iniciada a luta, e após inúmeras manifestações populares e articulações políticas, em 1991, foi publicada em diário oficial da União a liberação da verba para construção da escola técnica em Macaé. O então presidente da Petrobras, Alfeu Valença, anunciou na época a aprovação do conselho de administração da Petrobras da liberação da verba. A partir daí deu-se o início das obras do prédio onde atualmente funciona o campus Macaé do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF).

“Foi uma conquista única para a educação do município uma mobilização popular aliada pelos representantes políticos e democrática. Assim como a Mobilização pelos Royalties, foi constatada a força do macaense em defender os interesses do seu município e lutar pelo seu desenvolvimento”, relatou Marilena.

Macaenses voltam a se mobilizar pela autonomia do UNED-Macaé

Em julho de 1993, foi inaugurado o prédio da unidade Macaé contendo dois cursos técnicos integrados ao ensino médio, Eletrônica e Eletromecânica, com duzentos e setenta alunos. Os macaenses puderam cursar em sua própria cidade com resultados satisfatórios para o município.  Mesmo assim, segundo alunos daquele período, as atividades começavam a ser comprometidas em virtudes de questões administrativas entre o Campus de Campos e Macaé.

“A Unidade de Macaé não tinha autonomia, os recursos que vinham do governo federal passavam inicialmente para a unidade de Campus e depois para Macaé, o que consequentemente significava menos investimentos, atrasos em verbas e pagamentos dos professores daqui. Ficávamos, quase que anualmente envolvidos em paralisações ou até mesmo greve” recordou o ex aluno Gabriel Tebaldi.

Dessa forma alunos e professores recorreram em 2005 às lideranças municipais para intervirem na questão. Por saberem da mobilização ocorrida 10 anos por meio da Câmara Municipal, a então vereadora, Marilena Garcia voltou a ser procurada, retomando a luta. Desta vez em defesa da emancipação da então Unidade de Ensino Descentralizada (UNED) do Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET).

Uma comissão da Câmara Municipal, proposta por Marilena foi a Brasília, apresentar a proposta do município. Os vereadores, que estiveram reunidos com o deputado federal, Jorge Bittar (PT) e em seguida participaram de uma audiência com o ministro da Educação, Fernando Haddad onde apresentaram 11 assinaturas recolhidas pela população.

“Faltava autonomia à Uned-Macaé, por estar vinculada a Cefet de Campos. Era prioridade para o município a criação de novos cursos técnicos que possibilitassem a qualificação de jovens de Macaé e sua inserção do mercado de trabalho municipal” recordou a atual prefeita em exercício. Foram realizadas ainda audiências públicas voltadas para reivindicação da emancipação da Uned/Macaé, e o aumento do número de cursos e de vagas disponíveis para a unidade do município.

Marilena Garcia explicou que as Audiências serviram para garantir a expansão da educação científica e tecnológica, na região atendendo aos cidadãos do interior do país e das periferias dos grandes centros urbanos. “Nós temos uma escola técnica, que é apenas uma unidade, mas que na realidade fica vinculada ao Cefet de Campos. Em função disso, não oferecemos cursos melhores para nossos alunos”, avaliou.

Após quinze anos depois, o IFF Macaé conta com cursos em vários níveis de ensino, além dos convênios e parcerias que visam à qualificação profissional na região. O campus tem cerca de mil e quinhentos alunos matriculados. Oferece Ensino Médio Integrado, Cursos Técnicos, Cursos Superiores e Pós-Graduação.

“São fatos de nossa história que não devem ser esquecidos. Lembrar da história do IFF em Macaé é recordar de tudo aquilo que pode ser feito por meio da política séria, da mobilização da sociedade e pelo compromisso com o desenvolvimento do ensino no município. Ao ver o que o IFF se tornou fico feliz de ter contribuído com a sociedade para tornar nossa educação mais ampla e acessível ao macaense” destacou Marilena.

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